quinta-feira, 9 de outubro de 2008
A graça, onde está?
Os aplausos em delongas iam se estendendo pelo pátio principal do colégio. As crianças sorriam e não tinham mais controle sobre os músculos do seu rosto, que involuntariamente permaneciam intactos, fazendo mostrar os dentes sujos e mal cuidados de cada um ali presente. Um velho, no meio da criançada inteira, era o único que não achava graça em nada. O velho era o que se apresentava diante de todos, em cima do palco de precárias condições. O velho contava histórias sérias, que se referiam a seus antepassados, graves momentos passados, de loucuras intermináveis, mentes insanas que dominavam todos os que se encontravam residentes na Vila da Pompéia. Mas as crianças riam cada vez mais, e a cada desgraça que o velho contava parecia que se animavam ainda mais os pequenos e atenciosos ouvintes. Aquele senhor chorava parecendo não entender o que se passava na cabeça da criançada, qual era o motivo de tanta graça afinal? Então calou-se, e nada mais falou. ficou quieto, intacto, sem nenhum movimento mais a fazer. Todos também conteram os risos, mas não a alegria. Todos foram embora. O velho então foi até o banheiro, lavou o rosto removendo a maquiagem, retirou o nariz vermelho, a peruca e trocou a roupa inteira. Colocou sua dentadura de volta e sorriu, sem se conter de satisfação.
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2 comentários:
As vezes sou o velho!
Adorei...bastante interessante sua visão dessa cena. Espero que continue a escrever! BjoO
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