Ao lançarem a chama entre as humildes pedras...
enquanto suam de medo os mil poetas...
do vale de névoa surge aquele encanto...
de um ser medíocre como seu reflexo...
de um ser sozinho como sua mente...
que descansa nua em seu corpo...
que destrói sua vida e o dá nojo...
que o deixa livre, porém ausente...
mas o ser sorri como ele mesmo...
de um pardal que gira beijando a flor...
mas eis que surge a voz suprema...
e lhe tira a graça de vida e amor...
e lhe manda nadar entre tantas penas...
de outro pardais mortos em cenas...
de um filme vermelho, cinza, negro...
onde o ser chora águas de sofredor...
e implora, em nome das lágrimas agora...
que lhe deixe a mata, ao menos uma flor...
pra que tire da memória a imagem daquele dia...
em que um pardal voava e tão alto dizia...
- Aqui estou, triste, mas sem rancor...
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ser sente-se só, a cada passo do tempo
Quando o mato geme em cálido encanto...
com o vento em seu límpido verde tocando...
o que ouço é uma limpa voz...
dizendo para eu deitar com cuidado...
e então adormecer em tranquilo sono...
em meio a insetos nervosos...
em meio a humanos nojentos...
enquanto nasce a lua entre as nuvens...
e meu ser desperta procurando curvas...
entre as árvores que se entortam...
entre as margens do rio que corre...
entre as dores que agora voltam...
a tomar conta de um ser patético...
que sempre procurou por um momento...
em que pudesse descansar só...
em meio a nada e só...
onde só haveria o vento...
e uma paisagem...
gigante como o tempo...
onde a chuva pudesse tocar...
sem medo o chão e o molhar...
e fazê-lo chorar de saudades...
do tempo em que vivia...
e não morria com um nó...
no pescoço...
enforcado...
suado...
estreito e menor que tudo...
mas o ser prometeu a si mesmo, antes de ter tais pensamentos, deixar que seus pensamentos fossem embora e nunca mais tomassem conta de sua mente...e o fez, deixando a vida, a morte, o sofrimento...
com o vento em seu límpido verde tocando...
o que ouço é uma limpa voz...
dizendo para eu deitar com cuidado...
e então adormecer em tranquilo sono...
em meio a insetos nervosos...
em meio a humanos nojentos...
enquanto nasce a lua entre as nuvens...
e meu ser desperta procurando curvas...
entre as árvores que se entortam...
entre as margens do rio que corre...
entre as dores que agora voltam...
a tomar conta de um ser patético...
que sempre procurou por um momento...
em que pudesse descansar só...
em meio a nada e só...
onde só haveria o vento...
e uma paisagem...
gigante como o tempo...
onde a chuva pudesse tocar...
sem medo o chão e o molhar...
e fazê-lo chorar de saudades...
do tempo em que vivia...
e não morria com um nó...
no pescoço...
enforcado...
suado...
estreito e menor que tudo...
mas o ser prometeu a si mesmo, antes de ter tais pensamentos, deixar que seus pensamentos fossem embora e nunca mais tomassem conta de sua mente...e o fez, deixando a vida, a morte, o sofrimento...
Vivos sem vida
Do vale brotaram as águas floridas...
que desaguaram nos mares de ondas feridas...
que abasteceram a sede da terra mais seca...
que atormentava a boca mais seca de uma terra...
onde viviam os vivos mais mortos já vistos...
que avistavam ao vivo a notícia da TV...
nas paredes de espelho postas em suas casa...
pois em cada vida ali se via uma tragédia...
civis em travessias cada vez mais curtas...
obscuras sensações de "ser cadáver"...
respirando cinzas de uma seca terra...
ares secos daquela terra cinza...
com forte cheiro de um "preto em branco"...
despintados com odores da desonra...
do primeiro que naquela terra pôs os pés...
e queimou todas as árvores de um vale...
para se manter quente no frio que ali fazia...
que desaguaram nos mares de ondas feridas...
que abasteceram a sede da terra mais seca...
que atormentava a boca mais seca de uma terra...
onde viviam os vivos mais mortos já vistos...
que avistavam ao vivo a notícia da TV...
nas paredes de espelho postas em suas casa...
pois em cada vida ali se via uma tragédia...
civis em travessias cada vez mais curtas...
obscuras sensações de "ser cadáver"...
respirando cinzas de uma seca terra...
ares secos daquela terra cinza...
com forte cheiro de um "preto em branco"...
despintados com odores da desonra...
do primeiro que naquela terra pôs os pés...
e queimou todas as árvores de um vale...
para se manter quente no frio que ali fazia...
A graça, onde está?
Os aplausos em delongas iam se estendendo pelo pátio principal do colégio. As crianças sorriam e não tinham mais controle sobre os músculos do seu rosto, que involuntariamente permaneciam intactos, fazendo mostrar os dentes sujos e mal cuidados de cada um ali presente. Um velho, no meio da criançada inteira, era o único que não achava graça em nada. O velho era o que se apresentava diante de todos, em cima do palco de precárias condições. O velho contava histórias sérias, que se referiam a seus antepassados, graves momentos passados, de loucuras intermináveis, mentes insanas que dominavam todos os que se encontravam residentes na Vila da Pompéia. Mas as crianças riam cada vez mais, e a cada desgraça que o velho contava parecia que se animavam ainda mais os pequenos e atenciosos ouvintes. Aquele senhor chorava parecendo não entender o que se passava na cabeça da criançada, qual era o motivo de tanta graça afinal? Então calou-se, e nada mais falou. ficou quieto, intacto, sem nenhum movimento mais a fazer. Todos também conteram os risos, mas não a alegria. Todos foram embora. O velho então foi até o banheiro, lavou o rosto removendo a maquiagem, retirou o nariz vermelho, a peruca e trocou a roupa inteira. Colocou sua dentadura de volta e sorriu, sem se conter de satisfação.
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